
Quando encontrei a Teresa D’Abreu na sua página de instagram @healthybitespt e comecei a explorar o seu blog, apercebi-me de uma história de amor pela cozinha e pela alimentação saudável… E eis que vi um amor especial: O Baby-Led Weaning!
Não queria dramas à mesa!
O suficiente para se ter inteirado, estudado e lido muito sobre BLW. Adepta desta forma de apresentação dos alimentos à sua filha Judite, tem vindo a ajudar muitas famílias do país, com dicas e informação útil relacionada com este tema.
Fiz o convite à Teresa para se juntar a mim numa conversa especial sobre BLW e recebi de imedato um “SIM” que me encheu de expectativa. E digo-vos: superou em muito o que já imaginava que seria 🙂
NÃO TIVESTE OPORTUNIDADE DE VER O DIRETO NO DIA 23/05? Podes assistir clicando neste link (1ª parte) e neste link (2ª parte)
Conceito de BLW (Baby-Led Weaning)
Metodologia diferente de apresentação de alimentos ao bebé: quem procura o alimento e o leva à boca é o bebé e não o cuidador. Difere da introdução alimentar tradicional nesse e nos seguintes aspetos:
- O bebé pode comer no horário dos pais/família e à mesa;
- O conceito de BLW diz que o bebé come a mesma refeição dos pais/família, sem exceções;
- O bebé demora mais tempo a comer, estando entretido e aproveitando o momento da refeição;
- O bebé explora os alimentos, texturas e sabores com as mãos;
- No início é natural que coma menos bem (em quantidade) e haja mais sujidade (uma desvantagem para muitos pais);
- É ESSENCIAL QUE O BEBÉ NÃO SEJA FORÇADO A COMER (neste e no método tradicional de introdução alimentar);
- “É preciso gerir bem a oferta nutricional ao bebé, de forma a não causar carência nutricional” (DGS, 2019).
TER EM ATENÇÃO CASOS ESPECIAIS REFERENTES AO PERCENTIL DE PESO E ASPETOS PARTICULARES DA SAÚDE DO BEBÉ. UMA VEZ MAIS, CONSULTAR O PROFISSIONAL DE SAÚDE DO BEBÉ.
Idade adequada para iniciar BLW
Nunca antes dos 6 meses, conforme indicação da DGS. Contudo, crianças de 5 meses e meio podem estar preparadas para tal, mas outras de 7 meses, podem não estar em condições para este fim. Cada criança tem o seu tempo, como para tudo. É, portanto imprescindível conhecermos o nosso bebé.
Falar sempre com o profissional de saúde de referência, mostrar interesse neste método e avaliar, com o mesmo, a possibilidade de execução.
Aspetos a ter em conta antes de iniciar BLW
O bebé tem de cumprir os seguintes critérios:
- Sentar com postura reta;
- Mobilizar perfeitamente os braços e as mãos;
- Coordenar mão-boca-olho;
- Não fazer movimento de extrusão da lingua;
Que outros aspetos a ter em conta?
– O BEBÉ NÃO PRECISA DE TER DENTES, com a gengiva consegue moer o alimento;
– O gag reflex (ânsia de vómito) é algo habitual em bebés, que demonstra que o alimento foi mal deglutido, ajudando o bebé a expeli-lo;
– Tossir é natural e desejável, uma vez mais, quando o alimento foi mal deglutido e o bebé precisa de o expelir;
– é fulcral o cuidador NÃO PANICAR, o que pode causar medo no bebé.
Preparação e confeção dos alimentos
- Os alimentos podem ser cozidos, grelhados ou assados no forno atingindo uma consistência adequada (o adulto deve conseguir esmagar o alimento utilizando a língua contra o céu da boca);
- É sempre preferível o alimento mais cozinhado, do que menos cozinhado;
- Os alimentos devem ser cortados e confecionados da forma correta: inicialmente em palitos e com a aquicição do movimento de pinça, já podem ser oferecidos ao bebé em pedaços menores;
- A carne, a Teresa aconselha sempre de início a apresentação de croquetes, almôndegas ou hamburgueres ao bebé. Posteriormente, o corte da carne de perú ou frango em tiras também favorece a alimentação da criança;
- O peixe, a Teresa sugere inicialmente os lombos de pescada congelados à venda em qualquer superfície comercial, livres de espinhas (geralmente) e mais fáceis de cortar em pedaços que o bebé consegue pegar e levar à boca.
O conceito de BLW não prevê restrição alimentar, nem introdução progressiva dos alimentos como no método tradicional. O bebé alimenta-se da refeição dos pais/família, atendendo sempre aos alimentos proibidos até, pelo menos, aos 12 meses:
- Sal;
- Açúcar;
- Mel;
- Chá (excetuando-se chá apropriado para bebés).
Em caso do bebé desenvolver alguma alergia (que habitualmente se manifesta sob a forma de urticária – brevemente explico-vos a urticária em artigo no blog), é aí que se analisam os alimentos daquela refeição e se faz uma oferta progressiva de cada alimento, verificando o responsável pela alergia.
Riscos e cuidados inerentes
- Maior medo dos pais / cuidadores: Engasgamento;
- Probabilidade mínima de engasgamento se introduzido adequadamente e respeitando os cuidados anteriores;
- REQUER VIGILÂNCIA CONTÍNUA DO CUIDADOR, NÃO DEIXANDO NUNCA O BEBÉ A COMER SOZINHO.
Informação sobre o conceito baseada nas guidelines da Espghan (Sociedade Europeia de Gastroenterologia Pediátrica)
E vocês, qual o método que selecionaram para a introdução alimentar dos vossos filhos? Como têm sido as vossas experiências?
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